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Ativos digitais apreendidos em esquema de pirâmide serão usados para ressarcir vítimas

Criptomoedas estavam sob custódia da Polícia Federal desde 2019 e agora entram no processo de pagamento aos credores

Por: Redação da Gazeta
29/10/2025 às 10h06 Atualizada em 30/10/2025 às 10h59
Ativos digitais apreendidos em esquema de pirâmide serão usados para ressarcir vítimas

Em um marco histórico para a justiça brasileira e o combate a crimes financeiros no ambiente digital, a Polícia Federal (PF) realizou, na última sexta-feira (24), a entrega formal de aproximadamente 1.600 bitcoins à Vara de Falências de Novo Hamburgo (RS). Os ativos criptográficos foram apreendidos durante a Operação Lamanai, deflagrada em 2019 para desarticular um esquema de pirâmide financeira que atraiu milhares de investidores em todo o país.

A transferência dos bitcoins — cujo valor de mercado atual ultrapassa centenas de milhões de reais — foi o resultado de um procedimento técnico e jurídico complexo, conduzido com rigor de segurança e transparência. Participaram do processo policiais federais, advogados dos réus, representantes do tabelionato, da massa falida e outros agentes envolvidos na execução da decisão judicial.

Os ativos digitais agora integrarão o acervo da massa falida da empresa investigada e serão convertidos em moeda fiduciária para ressarcir os credores, a maioria composta por pessoas físicas que depositaram recursos acreditando em promessas de altos retornos financeiros. Muitas delas perderam economias de anos em um esquema que se revelou insustentável e fraudulento.

Além de desmontar a organização criminosa por trás da pirâmide, a Polícia Federal teve papel central na localização, preservação e recuperação dos ativos virtuais, demonstrando capacidade técnica avançada em investigações envolvendo criptomoedas — um dos maiores desafios da segurança pública contemporânea.

A expectativa é de que a liquidação dos bitcoins proporcione alívio financeiro significativo aos lesados, muitos dos quais aguardavam há anos por qualquer perspectiva de recuperação. O caso também reforça a importância da cooperação entre órgãos de segurança, Justiça e instituições financeiras no enfrentamento a crimes econômicos no mundo digital.

Com esse desfecho, a Operação Lamanai se consolida como um dos casos mais emblemáticos de recuperação de ativos criptográficos no Brasil, servindo de referência para futuras investigações envolvendo fraudes com criptomoedas.

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