Casal acusado de matar jovem e sequestrar bebê é julgado pelo Tribunal do Júri em Sapucaia do Sul

Vítima tinha 22 anos e o filho, de apenas três meses, permaneceu seis dias com os réus antes de ser localizado pela Polícia Civil


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O Tribunal do Júri de Sapucaia do Sul julga nesta quarta-feira (26) um homem de 28 anos e uma mulher de 50 anos acusados de matar Vitória da Silva Saliba Rodrigues, de 22 anos, e sequestrar o filho dela, que tinha apenas três meses na época do crime. A sessão é presidida pela juíza Greice Moreira Pinz e reúne oito testemunhas, além dos próprios réus, que serão interrogados durante o julgamento.

O caso mobilizou a investigação policial e o sistema de Justiça do Vale do Sinos por envolver a morte da jovem e o desaparecimento do bebê. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a criança teria permanecido por seis dias sob os cuidados dos acusados, enquanto eles tentavam apresentá-la a pessoas próximas como se fosse filho biológico do casal.

De acordo com a denúncia sustentada em plenário pelos promotores de Justiça Fernando Freitas Consul e Vinícius de Melo Lima, o crime teria sido planejado com o objetivo de retirar a criança da mãe. A acusação afirma que Vitória foi atraída para uma emboscada após receber uma falsa promessa de jantar com familiares de um dos envolvidos.

Segundo o MPRS, um dos réus teria criado uma aproximação afetiva com a jovem como parte da estratégia para atraí-la ao local. Depois, em uma área isolada, Vitória teria sido morta por asfixia mecânica.

Bebê foi localizado pela Polícia Civil

Após o assassinato, os acusados teriam permanecido com a criança durante seis dias. Nesse período, segundo a denúncia, o bebê foi apresentado a conhecidos como filho do casal.

A situação foi descoberta durante as investigações da Polícia Civil, que conseguiu localizar a criança e prender os suspeitos. A apuração também identificou uma tentativa de formalizar a situação do bebê por meio do uso de documentos falsos em órgãos públicos.

O Ministério Público acusa o casal de homicídio com cinco qualificadoras. Entre elas estão o uso de meio cruel, pela asfixia; a dissimulação utilizada para atrair a vítima; o recurso que teria dificultado a defesa da jovem; a finalidade de assegurar a execução de outro crime; e a condição de mulher da vítima, circunstância que caracteriza a acusação de feminicídio.

Além do homicídio, os réus respondem por crimes conexos relacionados ao sequestro qualificado de menor de 18 anos e à tentativa de registrar como próprio o filho de outra pessoa.

Veredito será anunciado após os debates

A sessão conta ainda com o depoimento de um perito criminal e de um médico-legista, entre as oito testemunhas previstas. Depois da produção dos depoimentos e dos interrogatórios, acusação e defesa apresentarão seus argumentos aos jurados.

O Conselho de Sentença será responsável por decidir sobre a responsabilidade dos acusados pelos crimes levados a julgamento. O veredito deverá ser anunciado pela Justiça após o encerramento dos debates entre o Ministério Público e as defesas.

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