As obras de proteção contra cheias e de infraestrutura urbana na comunidade Steigleder, no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, avançam desde junho e já alteram a paisagem da região. A primeira etapa prevê a canalização de uma vala de drenagem junto ao dique 905, em um projeto que também contempla novas estruturas para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
Embora a intervenção esteja concentrada em São Leopoldo, o trabalho integra um conjunto de investimentos voltados à reconstrução e adaptação do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Para moradores da região e pessoas que circulam pelo município, as mudanças envolvem não apenas a proteção contra alagamentos, mas também futuras obras de urbanização e melhoria da infraestrutura viária.
Na Steigleder, máquinas trabalham na vala que começa nas proximidades da associação de moradores e acompanha o dique pela Rua das Carreiras até a Rua 14 Bis. Um trecho do arroio já passou por desassoreamento e, nesta terça-feira (25), mais de 100 blocos de concreto haviam sido instalados na estrutura de drenagem. As equipes também avançavam na colocação de vigas sobre e ao lado dos blocos.
O primeiro trecho da intervenção terá aproximadamente 1,7 quilômetro de extensão, entre a Avenida Mauá e a Rua 14 Bis, com uma vala de cerca de 12 metros de largura. A previsão é de 14 meses para a conclusão desta etapa, executada pela Construsinos, que mantém um canteiro de obras na comunidade.
De acordo com a Secretaria de Mobilidade e Obras, o cronograma segue dentro do previsto apesar das chuvas registradas nas últimas semanas. O trabalho avançará a partir de áreas onde outras intervenções já estão em estágio mais adiantado, incluindo trechos próximos à Rua das Caneleiras.
A canalização é apenas uma parte do projeto. As fases seguintes preveem a construção de uma bacia de amortecimento e da Casa de Bombas número 7, na região do pôlder V. Os recursos destinados ao conjunto dessas etapas chegam a R$ 69,3 milhões por meio do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece).
A intervenção foi formalizada em maio, durante evento em Porto Alegre, com repasse inicial de R$ 32,8 milhões. Segundo a administração municipal, São Leopoldo foi o primeiro município a receber recursos do fundo e iniciar uma obra financiada por essa fonte.
O projeto também está associado a um plano mais amplo de urbanização da Steigleder. Entre as intervenções previstas estão a construção de quase 270 moradias e uma nova avenida. Somados os diferentes investimentos planejados para a região, o empreendimento pode alcançar valores superiores a R$ 200 milhões.
Outra frente de prevenção às cheias está em andamento no bairro Campina, onde equipes trabalham no Arroio Cerquinha. O local foi o primeiro ponto de São Leopoldo a transbordar durante a enchente de maio de 2024.
Ali, será construído um muro de contenção de aproximadamente 400 metros, com aumento de três metros na altura da estrutura. A fundação contará com estacas de concreto instaladas a oito metros de profundidade, além de oito metros de estrutura acima do terreno.
O trabalho começou pela retirada da camada de concreto de uma das margens. A etapa seguinte envolve a preparação da base e o estaqueamento. A execução será feita primeiro em um dos lados do arroio para permitir a circulação dos caminhões e máquinas, antes do avanço para a margem oposta.
A previsão contratual é de um ano para conclusão do muro, mas a expectativa da administração municipal é antecipar a entrega. Essa obra é financiada pelo Fundo Plano Rio Grande (Funrigs), criado para apoiar ações de reconstrução e recuperação após os eventos climáticos que atingiram o Estado.





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